1994: o ano em que o Brasil voltou ao topo do mundo

Relembre a emocionante campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. A trajetória até o tetracampeonato, os desafios, os jogos marcantes e a conquista que encerrou um jejum de 24 anos.

O Brasil ainda era gigante… mas já fazia tempo demais

Em 1994, o Brasil ainda era o país com mais títulos mundiais. Tinha 1958, 1962 e 1970. Mas havia um detalhe que incomodava — e muito. A Seleção não levantava uma Copa fazia 24 anos. Uma geração inteira havia crescido sem ver o Brasil campeão do mundo. Quem era criança em 1970 já era adulto. Muita gente conhecia o tricampeonato apenas pelas histórias contadas pelos pais, pelos avós, pelos lances reprisados na televisão. Parecia distante. Bonito… mas distante. Vieram 1974, 1978, 1982, 1986, 1990. Grandes times. Craques. Expectativa. E nada. Em alguns momentos faltou sorte. Em outros, faltou equilíbrio. O título nunca vinha. Até que chegou 1994.

E junto com ele, uma Seleção bem diferente daquelas que o mundo costumava associar ao futebol brasileiro. Menos espetáculo. Mais competitividade. Mais força mental. Mais pragmatismo. E, no fim, funcionou.

A caminhada até a Copa dos Estados Unidos

A classificação para a Copa não foi tranquila. Na verdade, foi tensa. Bem tensa. Nas eliminatórias sul-americanas, o Brasil oscilou mais do que o torcedor gostaria. Houve críticas ao time, ao estilo de jogo e ao técnico Carlos Alberto Parreira (que foi assistente do Zagallo em 1970). A reta final foi marcada por pressão. O jogo contra o Uruguai, no Maracanã, virou decisão antecipada. O Brasil precisava vencer. E venceu por 2 a 0. Com dois gols de Romário. Foi naquela noite que muita gente percebeu que ele seria decisivo. Talvez decisivo até demais. A vaga veio. Mas a confiança ainda estava sendo construída.

O time de 1994 tinha outro estilo

A Seleção de 1994 não era parecida com a de 1970. Nem com a de 1982 (que ficou conhecida como “Seleção de Ouro” ou “Time dos Sonhos, que tinha Telê Santana como técnico e grandes jogadores como Júnior e Zico do Flamengo, Falcão, Cerezo, Sócrates, Serginho Chulapa e Roberto Dinamite, entre outros), . E talvez por isso tenha sido tão debatida. Era um time muito sólido defensivamente. Extremamente competitivo. Organizado. Marcava forte. Sabia sofrer. Sabia esperar. Sabia decidir.

Na defesa estavam nomes como Taffarel, Jorginho, Márcio Santos, Aldair e Branco. No meio, Dunga, Mauro Silva, Mazinho, Zinho. E na frente, a dupla que se tornou símbolo daquela campanha: Romário e Bebeto.

Eles se entendiam quase no automático. Um criava. O outro aparecia. Às vezes invertiam. Quando encaixavam… era difícil segurar.

Seleção de 1994. Créditos: CBF

Romário: o homem da Copa

Se 1958 teve Pelé, se 1962 teve Garrincha e se 1970 teve um time inteiro brilhando… 1994 teve Romário. Ele chegou aos Estados Unidos voando. Confiante. Provocador. Decisivo. Do jeito dele. E dentro de campo resolveu quase tudo que precisava resolver. Gol importante. Passe importante. Movimentação inteligente. Frieza absurda.

Segundo a FIFA, Romário foi um dos jogadores mais determinantes daquele Mundial e terminou a Copa como um dos grandes nomes do torneio. No Brasil inteiro era simples: quando a bola chegava nele… alguma coisa podia acontecer.

A estreia nos Estados Unidos

A Copa de 1994 aconteceu nos Estados Unidos. O calor era forte. Era verão na terra do Tio Sam. Muito forte. Em alguns jogos, sufocante. A estreia brasileira foi contra a Rússia. Vitória por 2 a 0. Depois veio Camarões. Mais vitória: 3 a 0. Na sequência, empate por 1 a 1 com a Suécia. Classificação garantida. A Seleção avançava com segurança. Ainda sem encantar todos. Mas avançava. E em Copa isso pesa.

O mata-mata começa de verdade

Nas oitavas de final o Brasil enfrentou os Estados Unidos, donos da casa. Jogo duro. Truncado. Com muita pressão da torcida local. Vitória brasileira por 1 a 0, gol de Bebeto. Suficiente. Nas quartas veio a Holanda. E aí sim uma partida histórica. O Brasil abriu 2 a 0 com Romário e Bebeto. Os holandeses buscaram o empate. O jogo ficou aberto. Nervoso. Até que, aos 36 do segundo tempo, Branco cobrou falta. A bola entrou. Brasil 3 a 2. Um dos jogos mais marcantes daquela Copa.

A semifinal contra a Suécia

A semifinal colocou novamente Brasil e Suécia frente a frente. Jogo amarrado. Defesas fortes. Pouco espaço. Parecia que iria para a prorrogação. Até que aos 35 minutos do segundo tempo, Jorginho cruzou e Romário apareceu no meio da defesa sueca. Cabeceou. Gol. Brasil 1 a 0. Era o gol da vaga na final. O país inteiro explodiu.

A grande final contra a Itália

Dia 17 de julho de 1994. Estádio Rose Bowl, em Pasadena, na Califórnia. Brasil contra Itália. Final gigantesca. Duas camisas pesadíssimas. Duas seleções tricampeãs. Quem vencesse se tornaria tetracampeão mundial. O jogo foi equilibrado, tenso e muito estudado. Poucas chances claras. Muita marcação. 0 a 0 no tempo normal. 0 a 0 na prorrogação. Pela primeira vez na história uma final de Copa seria decidida nos pênaltis. Ninguém sabia exatamente como reagir àquilo. Era tensão pura.

Os pênaltis que pararam o Brasil

Vieram as cobranças. França, Alemanha, Argentina… nada disso importava mais. Era Brasil e Itália.

Uma cobrança de cada vez. Márcio Santos perdeu. Baresi isolou. Romário marcou. Branco marcou. Dunga marcou. Então veio o momento eterno. Roberto Baggio foi para a cobrança italiana. Chutou por cima do gol. A bola subiu. Passou. E saiu. Fim. Brasil campeão do mundo.

Capitão Dunga levantando a taça do Tetra. Créditos: CBF

Taffarel ajoelhado, Dunga com a taça e um país inteiro chorando

As imagens daquele dia continuam vivas. Taffarel ajoelhado. Romário sorrindo. Bebeto correndo. Dunga levantando a taça. Gente chorando em casa. Nas ruas. Nos bares. Nas janelas. Em carros buzinando madrugada adentro. Era mais do que um título. Era o fim de uma espera de 24 anos. Um alívio coletivo. Uma explosão presa há décadas. O Brasil voltava ao topo do futebol mundial.

A homenagem que emocionou o país

A conquista também teve um peso emocional enorme por causa de Ayrton Senna. Poucos meses antes da Copa, o Brasil havia perdido o tricampeão de Fórmula 1 em Imola. O país ainda estava abalado. Muito. Durante a comemoração do título, os jogadores entraram em campo com uma faixa escrita: “Senna… aceleramos juntos. O tetra é nosso.” Foi um daqueles momentos que atravessam o esporte. Até hoje arrepia.

Por que 1994 continua tão marcante?

Porque encerrou uma espera longa demais. Porque trouxe o tetra. Porque foi o título de uma geração inteira que nunca tinha visto o Brasil campeão. Porque teve Romário no auge. Porque teve raça. Porque teve sofrimento. E porque foi conquistado do jeito que Copa do Mundo costuma ser: com talento… e com nervos de aço.

Curiosidades sobre a Copa de 1994

Foi o primeiro título mundial decidido nos pênaltis

Brasil 3 x 2 Itália.

Romário foi eleito um dos grandes jogadores do torneio

Peça central da campanha.

Bebeto eternizou a comemoração do “embala neném”

Após marcar contra a Holanda.

O Brasil encerrou jejum de 24 anos sem títulos mundiais

Desde 1970.

Fontes consultadas

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